Marchinhas Tradicionais – Repertório

ABRE ALAS
(Chiquinha Gonzaga, 1899)

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar

ALLAH-LÁ-Ô
(Haroldo Lobo-Nássara, 1940)

Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

Viemos do Egito
E muitas vezes
Nós tivemos que rezar
Allah! allah! allah, meu bom allah!
Mande água pra ioiô
Mande água pra iaiá
Allah! meu bom allah

APAGA A VELA
(Braguinha, 1941)

Bela, bela
Já não posso resistir
Apaga a vela, ó bela
Apaga que eu quero dormir

Apaga também os teus olhos
Teus olhos enormes de brilho azulado
Não passes a noite falando
Que eu ando com o sonho atrasado

AURORA
(Mário Lago-Roberto Roberti, 1940)

Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

BALANCÊ 
(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1936)

Ô balancê balancê
Quero dançar com você
Entra na roda morena pra ver
Ô balancê balancê

Quando por mim você passa
Fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
No balancê balancê

Você foi minha cartilha
Você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
No balancê balancê

Eu levo a vida pensando
Pensando só em você
E o tempo passa e eu vou me acabando
No balancê balancê

BANDEIRA BRANCA
(Max Nunes-Laércio Alves, 1969)

Bandeira branca amor
Não posso mais
Pela saudade que me invade
Eu peço paz

Saudade mal de amor de amor
saudade dor que dói demais
Vem meu amor
Bandeira branca eu peço paz

CABELEIRA DO ZEZÉ
(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)

Olha a cabeleira do zezé
Será que ele é
Será que ele é

Será que ele é bossa nova
Será que ele é maomé
Parece que é transviado
Mas isso eu não sei se ele é

Corta o cabelo dele!
Corta o cabelo dele!

CACHAÇA
(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)

Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão

Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça

CAN CAN

Tem francesinha no salão
Tem francesinha no cordão
Ela é um sonho de mulher
Vem do folies bergères
Uh lá lá trés bien!
Maestro ataca o can can!

CHIK CHIK BUM 
(Antônio Almeida, 1941)

Chik chik chik chik chik bum!
Chik chik chik chik chik bum!
Pare o bonde, pare o bonde
Que inda vai entrar mais um

Quando eu pego o bonde errado
Vou até o fim da linha
E pra desfarçar as mágoas
Vou tocando a campainha
Outro dia eu distraí
Passeando com meu bem
Peguei o estrada de ferro
Pensando que fosse um trem

CHIQUITA BACANA
(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1949)

Chiquita bacana lá da Martinica
Se veste com uma casa de banana nanica

Não usa vestido, oi! não usa calção
Inverno pra ela é pleno verão
Existencialista com toda razão
Só faz o que manda o seu coração, ôi!

CHUVA SUOR E CERVEJA
(Caetano Veloso, 1971)

Não se perca de mim
Não se esqueça de mim
Não desapareça
A chuva tá caindo
E quando a chuva começa
Eu acabo de perder a cabeça
Não saia do meu lado
Segure o meu pierrô molhado
E vamos embolar
Ladeira abaixo
Acho que a chuva
Ajuda a gente a se ver
Venha veja deixa beija seja
O que Deus quiser

A gente se embala, se embola
Se enrola, só pára
Na porta da igreja
A gente se olha
Se beija, se molha
De chuva suor e cerveja

COLOMBINA IÊ IÊ IÊ
(João Roberto Kelly/David Nasser-1966)

Colombina onde vai você
Eu vou dançar o iê iê iê

A gangue só me chama de palhaço (é a mãe!)
Palhaço (é a mãe!)
Palhaço (é a mãe!)
E a minha colombina que é você
Só quer saber de iê iê iê

CIDADE MARAVILHOSA 
(André Filho, 1934)

Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil
Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil

Berço do samba e das lindas canções
Que vivem n’alma da gente
És o altar dos nossos corações
Que cantam alegremente

Jardim florido de amor e saudade
Terra que a todos seduz
Que Deus te cubra de felicidade
Ninho de sonho e de luz

EVOCAÇÃO Nº 1
(Nelson Ferreira, 1956)

Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs-Fum
Dos carnavais saudosos

Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha-regresso
E era o sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus adeus minha gente
Que já cantamos bastante
E Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia

ÍNDIO QUER APITO
(Haroldo Lobo-Milton de Oliveira, 1960)

Ê ê ê ê ê índio quer apito
Se não der pau vai comer

Lá no bananal mulher de branco
Levou pra pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar
Índio quer apito

A FILHA DA CHIQUITA BACANA
(Caetano Veloso, 1975)

Eu sou a filha
Da chiquita bacana
Nunca entro em cana
Porque sou família demais
Puxei à mamãe
Não caio em armadilha
E distribuo banana
Com os animais

Na minha ilha iê iê iê
Que maravilha iê iê iê
Eu transo todas
Sem perder o tom
E a quadrilha toda grita
Iê iê iê
Viva a filha da chiquita
Iê iê iê
Entrei pro women’s liberation front

FLOR TROPICAL
(Ary Barroso -1950)

Foram lá fora buscar
Como atração singular
Dona Chiquita da Martinica
E a espanhola de xale e castanhola
Mas morena trigueira
Que tem diploma e cartaz
Pôs a Chiquita e a espanhola
No chinelo pra nunca mais

Ó morena moreninha
Flor do jardim tropical
És de direito e de fato
A rainha do meu carnaval

GRAU DEZ 
(Lamartine Babo-Ary Barroso, 1935)

Yo te quiero

A vitória há de ser tua, tua, tua
Morenininha prosa
Lá no céu a própria lua, lua, lua
Não é mais formosa
Rainha da cabeça aos pés
Morena eu te dou grau dez!

O inglês diz “yes, my baby”
O alemão diz “iá, corração”
O Francês diz “bonjour, mon amour”
Très bien! Très bien! Très bien!

O argentino ao te ver tão bonita
Toca um tango e só diz “Milonguita”
O chinês diz que diz, mas não diz
Pede bi! Pede bis! Pede bis!

Yo te quiero

IAIÁ BONECA 
(Ari Barroso-1940)

Depois da jardineira que chorando sumiu
Num dia do outro carnaval
Depois da tirolesa que cantando fugiu
Deixando todo mundo mal
Chegou a vez de dominar
Imperar como rainha de encantos sem par
Iaiá Boneca a brasileirinha emoção
Dona do meu coração
Ai ai como é bonita
Ai ai como é formosa
Ai ai Iaiá boneca é um botão de rosa
Iaiá me dá uma esmolinha
Dos beijos teus pelo amor de deus
Iaiá me dá uma esmolinha
Dos beijos teus pelo amor de deus


A JARDINEIRA
(Benedito Lacerda-Humberto Porto, 1938)

Ó jardineira porque estás tão triste
Mas o que foi que te aconteceu
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu

Vem jardineira vem meu amor
Não fiques triste que este mundo é todo seu
Tu és muito mais bonita
Que a camélia que morreu

JOUJOUX E BALAGANDÃS
(Lamartine Babo, 1939)

Joujoux, joujoux? Que é meu balagandã?
Aqui estou eu Aí estás tu
Minha joujoux Meu balagandã
Nós dois Depois
O sol do amor que manhãs
De braços dados Dois namorados
Já sei Joujoux Balagandãs

Seja em Paris Ou nos Brasis
Mesmo distantes Somos constantes
Tudo nos une Que coisa rara
No amor nada nos separa

LINDA LOURINHA
(Braguinha, 1933)

Lourinha, lourinha
Dos olhos claros de cristal
Desta vez em vez da moreninha
Serás a rainha do meu carnaval

Loura boneca
Que vens de outra terra
Que vens da Inglaterra
Ou que vens de Paris
Quero te dar
O meu amor mais quente
Do que o sol ardente
Deste meu país

Linda loirinha
Tens o olhar tão claro
Deste azul tão raro
Como um céu de anil
Mas as tuas faces
Vão ficar morenas
Como as das pequenas
Deste meu Brasil

LINDA MORENA
(Lamartine Babo, 1932)

Linda morena, morena
Morena que me faz penar
A lua cheia que tanto brilha
Não brilha tanto quanto o teu olhar

Tu és morena uma ótima pequena
Não há branco que não perca até o juízo
Onde tu passas
Sai às vezes bofetão
Toda gente faz questão
Do teu sorriso

Teu coração é uma espécie de pensão
De pensão familiar à beira-mar
Oh! Moreninha, não alugues tudo não
Deixe ao menos o porão pra eu morar

Por tua causa já se faz revolução
Vai haver transformação na cor da lua
Antigamente a mulata era a rainha
Desta vez, ó moreninha, a taça é tua

MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI
(Capiba -1963)

Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original
Não vem pra fazer barulho
É só dizer e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos cantando essa canção
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeira de lei que cupim não rói

MAMÃE EU QUERO
(Jararaca-Vicente Paiva, 1936)

Mamãe eu quero, mamãe eu quero
Mamãe eu quero mamar
Dá a chupeta, dá a chupeta
Dá a chupeta pro bebe não chorar

Dorme filhinho do meu coração
Pega a mamadeira e vem entrá pro meu cordão
Eu tenho uma irmã que se chama Ana
De piscar o olho já ficou sem a pestana

Olho as pequenas mas daquele jeito
Tenho muita pena não ser criança de peito
Eu tenho uma irmã que é fenomenal
Ela é da bossa e o marido é um boçal

MARCHA DO REMADOR
(Antônio Almeida – 1969)

Se a canoa não virar olê olê olá
Eu chego lá

Rema rema rema remador
Quero ver depressa o meu amor
Se eu chegar depois do sol raiar
Ela bota outro em meu lugar

MARCHA DO CORDÃO DO BOLA PRETA
(Nelson Barbosa – Vicente Paiva, 1962)

Quem não chora não mama
Segura meu bem a chupeta
Lugar quente é na cama
Ou então no Bola Preta

Vem pro Bola meu bem
Com alegria inferna
Todos são de coração
Todos são de coração
Foliões do carnaval
(Sensacional!)

MÁSCARA NEGRA
(Zé Keti-Pereira Mattos, 1966)

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ
(Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959)

Ei, você aí!
Me dá um dinheiro aí!
Me dá um dinheiro aí!

Não vai dar?
Não vai dar não?
Você vai ver a grande confusão
Que eu vou fazer bebendo até cair
Me dá me dá me dá, ô!
Me dá um dinheiro aí!

A MULATA É A TAL
(Braguinha-Antônio Almeida, 1947)

Branca é branca preta é preta
Mas a mulata é a tal, é a tal!

Quando ela passa todo mundo grita:
“Eu tô aí nessa marmita!”
Quando ela bole com os seus quadris
Eu bato palmas e peço bis

Ai mulata, cor de canela!
Salve salve salve salve salve ela!

MULATA IÊ IÊ IÊ
(João Roberto Kelly, 1964)

Mulata bossa nova
Caiu no hully gully
E só dá ela
Ê ê ê ê ê ê ê ê
Na passarela

A boneca está
Cheia de fiufiu
Esnobando as louras
E as morenas do Brasil

O TEU CABELO NÃO NEGA
(Lamartine Babo-Irmãos Valença, 1931)

O teu cabelo não nega mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega mulata
Mulata eu quero o teu amor

Tens um sabor bem do Brasil
Tens a alma cor de anil
Mulata mulatinha meu amor
Fui nomeado teu tenente interventor

Quem te inventou meu pancadão
Teve uma consagração
A lua te invejando faz careta
Porque mulata tu não és deste planeta

Quando meu bem vieste à terra
Portugal declarou guerra
A concorrência então foi colossal
Vasco da gama contra o batalhão naval

PASTORINHAS 
(Noel Rosa-Braguinha, 1934)

A estrela d’alva no céu desponta
E a lua anda tonta com tamanho esplendor
E as pastorinhas pra consolo da lua
Vão cantando na rua lindos versos de amor

Linda pastora morena da cor de madalena
Tu não tens pena de mim
Que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre sempre te amar

PÉ DE ANJO
(Sinhô, 1920)

Eu tenho uma tesourinha
Que corta ouro e marfim
Serve também pra cortar
Línguas que falam de mim

O pé de anjo, o pé de anjo
És rezador, és rezador
Tens o pé tão grande
Que és capaz de pisar nosso senhor

A mulher e a galinha
São dois bichos interesseiros
A galinha pelo milho
E a mulher pelo dinheiro

PIERRÔ APAIXONADO 
(Noel Rosa-Heitor dos Prazeres, 1935)

Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim

PIRATA DA PERNA DE PAU
(Braguinha, 1946)

Eu sou o pirata da perna de pau
Do olho de vidro da cara de mau

Minha galera
Dos verdes mares não teme o tufão
Minha galera
Só tem garotas na guarnição
Por isso se outro pirata
Tenta a abordagem eu pego o facão
E grito do alto da popa:
Opa! homem não!

QUEM SABE, SABE
(Jota Sandoval-Carvalhinho, 1955)

Quem sabe, sabe
Conhece bem
Como é gostoso
Gostar de alguém

Ai morena deixa eu gostar de você
Boêmio sabe beber
boêmio também tem querer

SABE LÁ O QUE É ISSO 
(HINO DOS BATUTAS DE SÃO JOSÉ)

Eu quero entrar na folia meu bem
Você sabe lá o que é isso
Batutas de São José isto é
Parece que tem feitiço
Batutas têm atrações que
Ninguém pode resistir
Num frevo desses que faz
Demais a gente se distinguir

Deixa o frevo rolar
Eu só quero saber
Se você vai ficar
Ai meu bem sem você não há carnaval
Vamos cair no passo e a vida gozar

SACA-ROLHA
(Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)

As águas vão rolar
Garrafa cheia eu não quero ver sobrar
Eu passo mão na saca saca saca rolha
E bebo até me afogar
Deixa as águas rolar

Se a polícia por isso me prender
Mas na última hora me soltar
Eu pego o saca saca saca rolha
Ninguém me agarra ninguém me agarra

SASSARICANDO
(Luiz Antônio, Zé Mário e Oldemar Magalhães, 1951)

Sassassaricando
Todo mundo leva a vida no arame
Sassassaricando
A viúva o brotinho e a madame
O velho na porta da Colombo
É um assombro
Sassaricando

Quem não tem seu sassarico
Sassarica mesmo só
Porque sem sassaricar
Essa vida é um nó

TA-HÍ! 
(Joubert de Carvalho, 1930)

Taí eu fiz tudo pra você gostar de mim
Ai meu bem não faz assim comigo não
Você tem você tem que me dar seu coração

Meu amor não posso esquecer
Se dá alegria faz também sofrer
A minha vida foi sempre assim
Só chorando as mágoas que não têm fim

Essa história de gostar de alguém
Já é mania que as pessoas têm
Se me ajudasse Nosso Senhor
Eu não pensaria mais no amor

TOURADAS EM MADRI 
(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1937)

Eu fui às touradas em Madri
E quase não volto mais aqui
Pra ver Peri beijar Ceci
Eu conheci uma espanhola natural da Catalunha
Queria que eu tocasse castanhola e pegasse touro à unha
Caramba caracoles sou do samba não me amoles
Por Brasil eu vou fugir
Isto é conversa mole para boi dormir

VACA AMARELA
(Lamartine Babo/Carlos Netto, 1938)

A vaca amarela pulou a janela
Mexeu, tanto mexeu
Que até quebrou a tal tigela

A minha casa tem quintal pro morro
Com um bangalô que eu fiz pro meu cachorro
Do lado esquerdo tem uma cancela
Toda escangalhada pela tal vaca amarela

Dizem que a vaca veio da montanha
Veio de Minas, lá do Mar de Espanha
Vaca espanhola natural de Minas
Que na Catalunha cata boi com serpentina

VAI COM JEITO
(Braguinha, 1956)

Vai com jeito vai
Se não um dia a casa cai (menina)

Se alguém te convidar
Pra tomar banho em Paquetá
Pra piquenique na Barra da Tijuca
Ou pra fazer um programa no Joá
Menina…

VÍRGULA
(Alberto Ribeiro-Erastótenes Frazão)

Teu amor é fatal – vírgula
Qual mulher sensacional – ponto e vírgula
Queres dar teu coração – interrogação
Que pecado original – exclamação

Teu amor é fatal – vírgula
Qual mulher sensacional – ponto e vírgula
Queres dar teu coração mas comigo não
Ponto final

Teu amor entre aspas
Já consegui descrever
Reticências reticências
Agora adivinhe o que eu quero dizer

YES, NÓS TEMOS BANANAS
(Braguinha-Alberto Ribeiro, 1937)

Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina tem vitamina
Banana engorda e faz crescer

Vai para a França o café, pois é
Para o Japão o algodão, pois não
Pro mundo inteiro, homem ou mulher
Bananas para quem quiser

Mate para o Paraguai
Ouro do bolso da gente não sai
Somos da crise, se ela vier
Bananas para quem quiser

1)Marcha do Tambor
(Jurandi Prates – Hianto de Almeida – Ewaldo Ruy)
Grav. de Marlene (1954)

Zé Pequeno era um soldado de morte
Batia na mulher e no tambor
Era pequeno, mas sempre deu sorte
com mulher de qualquer cor

Desfilando em parada
pequenino enganador
todo mundo se espantava
com o tamanho do tambor

Tão pequenino com um tambor tão grande !

2) Coitadinho do Papai (H. de Almeida e M. Garcez)1947
Grav. Marlene e Os Vocalistas Tropicais

Mamãe quer saber
onde é que o velho vai
Pode até chover
que toda noite o velho sai

Papai diz que vai
lá prá companhia
Que tem reunião de diretoria
Mamãe desconfia
mas, não sabe onde ele vai
Se um dia ela descobre
coitadinho do papai !

3) Zé Marmita (Brasinha – Luiz Antônio) 1953

Grav. Marlene

Quatro horas da manhã
Saí de casa o Zé Marmita
Pendurado na porta do trem
Zé marmita vai e vem

Numa lata Zé Marmita traz a bóia
que ainda sobrou do jantar
Meio-dia, Zé marmita faz o fogo
para a comida esquentar
e Zé marmita, barriga cheia
esquece a vida, num bate-bola de meia.

4)Lata D’Água (Luis Antônio – Jota Jr.)- 1952
Grav. Marlene

Lata d’água na cabeça
Lá vai Maria
Lá vai Maria
Sobe o morro e não se cansa
pela mão leva a criança
Lá vai Maria

Maria, lava roupa lá no alto
lutando, pelo pão de cada dia
sonhando, com a vida do asfalto
que acaba, onde o morro principia.

5) Se é pecado sambar
(João Santana)1950

Se é pecado sambar
a Deus eu peço perdão
pois, não posso evitar
a tentação,
de um samba dolente
que mexe com a gente
fazendo endoidecer
é um tal, de me pega,
me solta, me deixa,
sambar, até morrer.

Só o samba, é o culpado
De eu abandonar, meu lar
Se sambar é pecado
Deus queira, me perdoar.

6)Bloco da Solidão (Evaldo Gouveia – Jair Amorim) 1971

Grav. Marlene (Todamérica) / Jair Rodrigues (Philips)

Angústia,
solidão, um triste adeus,
em cada mão,
lá vai, meu bloco, vai
só desse geito,
é que ele saí
na frente, sigo eu,
levo o estandarte
de um amor
O amor que se perdeu,
no carnaval,
lá vai meu bloco
e lá vou eu, também,
mais uma vez,
sem ter ninguém,
no sábado, domingo,
segunda e terça-feira,
e quarta-feira, vem
e o ano inteiro,
é todo assim,
porisso, quando eu passar
batam palmas, prá mim.

Aplaudam, quem sorriu,
trazendo lágrimas, no olhar,
merece uma homenagem,
quem tem forças, prá cantar
tão grande é minha dor
pede passagem, quando sai,
comigo só, lá vai meu bloco vai.
Larará, larará, …

7) Twist no Carnaval (João de Barro (Braguinha) e Jota Jr.) 1963
Grav. Marlene

Twist, twist,
tu fostes ao Municipal
Twist, twist,
twist no carnaval

Todo mundo no twist
é vapt, vupt, vapt
A moçada não resiste
é vapt, vupt, vapt
que rififi, que futebol
quem se remexe
é minhoca no anzol.

8) Roubaram a Mulher do Ruy (José Messias)
Grav. Marlene

Ui, ui, ui,
roubaram a mulher do Ruy
Cê pensa que fui eu
eu juro, que não fui

Telefona prá rádio patrulha
pega, pega ladrão
tão roubando mulher
no meio do salão.

A DOR DE UMA SAUDADE
(Edgar Moraes)
. _________________ ________
Tom: Cm | 1. || 2.
Intr.: |: Fm | Cm | G7 | Cm C7 | Fm | Cm | D7 | G7 😐 Cm | D7 G7 | Cm | %

Cm Cm G7 G7
A dor de uma saudade
Ab7 Ab7 G7 G7
Vive sempre em meu coração
C7 C7 Fm Fm7
Ao relembrar alguém que partiu
Bb7 Bb7 Eb G7
Deixando a recordação, nunca mais
Cm Cm Fm
Hão de voltar os tempos
Fm Cm G7 C C
Felizes que passei em outros carnavais
C C C
Cantar oh! Cantar!
C F F C C
É um bem que dos céus nos vem
G7 G7 C C
Se algumas vezes nos faz chorar
D7 D7 G7 G7
Ante os revezes nos faz rir também
C C C C
Cantar oh! Cantar!
F F E E
Com expressão de uma emoção
A7 A7 Dm Dm
Que nasce d’alma e vem dizer ao coração
C |Dm G7 | C
Que a vida é uma canção

FREVO DE SAUDADE
(Nelson Ferreira / Aldemar Paiva)
.
Tom: Cm
Intr.: |G#7 | Fm G7 Cm | Dm7(b9) | G7 | Bbm C7 | Fm | Cm | G#7 | G7 | Cm |

|: G7
Quem tem saudade
Cm
Não está sozinho
C# Cm
Tem o carinho da recordação
C7 Fm Bb7
Por isso quando estou
Eb
Mais isolado
G#7
Estou bem acompanhado
__________ ______________
| 1. || 2.
G7 Cm 😐 | C Bm Am G7 |
Com você no coração coração

C
Um sorriso,

Uma frase, uma flor,
C#° | Dm G7 |
Tudo é você na imaginação
Dm
Serpentina ou confete
G7
Carnaval de amor
| Dm G7 | C
Tudo é você no coração
Bb7
Você existe
Eb
Como um anjo de bondade
D7
E me acompanha
G7 C7
Neste frevo de saudade

VALORES DO PASSADO
(Edgard Moraes)

Tom: C
Intr.:|Dm |G7 |C |Em | Ebm Dm | G7 |C |% | E7 |% | Am | F#°| C A7 | Dm G7 | C

Dm G7 C
Bloco das Flores, Andaluzas, Cartomantes,
Em Ebm Dm G7 C | C B Bb |
Camponeses, Apôis Fum e o Bloco Um Dia Só
A7 Dm
Os Corações Futuristas,
D7 G7
Bobos em Folia, Pirilampos em Tejipió

Dm G7 C
A Flor da Magnólia
E7 Am C7
Lira do Charmion, Sem Rival
F G7 C
Jacarandá, a Madeira da Fé,
Em Ebm Dm
Crisantemos, Se Tem Bote e
G7 C
Um Dia de Carnaval

E7 Am A7 Dm
Pavão Dourado, Camelo de Ouro e Bebé
Bm7(b5)
Os Queridos Batutas da Boa Vista
E7 Am
E os Turunas de São José
Gm A7 Dm
Príncipes dos Príncipes brilhou
G7 C C7
Lira da Noite também vibrou
F G7 C
E o Bloco da Saudade
Em Ebm Dm G7 | C C C |
Assim re——-corda tudo que passou.

ÚLTIMO REGRESSO
(Getúlio Cavalcante)

Tom: Fm
Intr:|: C7 | C7 | Fm | Fm | A#m | C7 | Cm7 (b5) | F7 | A#m | A#m | Fm | Fm | C7 | C7 | Fm | Fm 😐

Fm C7
Falam tanto que o meu bloco está
Fm
Dando adeus prá nunca mais sair
F7 A#
E depois que ele desfilar
D#7 G#
Do seu povo vai se despedir
Fm C7 | C#7(9) C7 |
No regresso de não mais voltar
C7 F6
Suas pastoras vão pedir:
F
Não deixe, não
Am7
Que um bloco campeão
Cm7 D7 Gm7
Guarde no peito a dor de não cantar

Um bloco a mais
D#7M
É um sonho que se faz
C7 F6
Nos pastoris da vida singular
Fm7
É lindo ver o dia amanhecer
F7 A#m
Com violões e pastorinhas mil
F# Fm
Dizendo bem que o Recife tem
G7 C7 Fm6
O carnaval melhor do meu Brasil

BOTA CAMISINHA

Bota camisinha
Bota meu amor
Que hoje tá chovendo
Não vai fazer calor

Bota a camisinha no pescoço
Bota geral
Não quero ver ninguém
Sem camisinha
Prá não se machucar
No Carnaval…

MARIA SAPATÃO
(Chacrinha / Roberto / Don Carlos / Leleco)

Maria Sapatão
Sapatão, Sapatão
De dia é Maria
De noite é João

O sapatão está na moda
O mundo aplaudiu
É um barato
É um sucesso
Dentro e fora do Brasil

UPA UPA
(Ary Barroso, 1940)

Lá vai o meu trolinho
Vai rodando de mansinho
Pela estrada além

Vai levando pro seu ninho
Meu amor, o meu carinho
Que eu não troco por ninguém

Upa, upa, upa
Cavalinho alazão
ê ê ê
Não erre de caminho não

AI QUE SAUDADES DA AMÉLIA
(Ataulfo Alves / Mário Lago, 1941)

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Não vê que eu som um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai meu Deus que saudade da Amélia
Aquilo sim que era mulher

As vezes passava fome ao seu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado dizia
Meu filho o que se há de fazer

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia que era a mulher de verdade

ESTÁ CHEGANDO A HORA
(Rubens Campos / Henricão, 1942)

Quem parte
Leva saudades
De alguém
Que fica chorando de dor

Por isso eu não quero lembrar
Quando partiu
Meu grande amor

ai ai ai ai
Está chegando a hora
O dia já vem raiando meu bem
E eu tenho que ir embora

CAIU NA REDE
(1943)

Caiu na rede é peixe
Le-le-á
Eu não posso bobear

A maré tá cheia
ta-ta-ta
ta-ta-ta

Cheia de sereia
No anzol
Querendo se enfiar

CORDÃO DOS PUXA-SACOS
(Roberto Martins / Frazão, 1946)

Lá vem o cordão dos puxa-sacos
Dando vivas aos seus maiorais
Quem está na frente é passado pra trás
E o cordão dos puxa-sacos
Cada vez aumenta mais

DAQUI EU NÃO SAIO
(Paquito / Romeu Gentil , 1950)

Daqui não saio
Daqui ninguém me tira

Onde é que eu vou morar
O senhor tem paciência de esperar
Inda mais com quatro filhos
Onde é que vou parar

NEGA MALUCA
(Fernando Lobo / Evaldo Ruy, 1950)

Tava jogando sinuca
Uma nega maluca
Me apareceu
Vinha com um filho no colo

E dizia pro povo
Que o filho era meu, não senhor
Tome que o filho é seu, não senhor
Pegue o que Deus lhe deu, não senhor

MARIA ESCANDALOSA
(Klecius Caldas / Armando Cavalcanti, 1954)

Maria Escandalosa
Desde criança
Sempre deu alteração

Na escola
Não dava bola
Só aprendia
O que não era lição

Depois a Maria Cresceu
Juizo que é bom encolheu
E Maria Escandalosa

É muito prosa
É menirosa
Mas é gostosa

NA ONDA DO BERIMBAU
(Osvaldo Nunes ,1965)

Na onda do berimbau
Esquim dim dim
Esquim dim dim

Agitarei o carnaval
Esquim dim dim
Esquim dim dim

Bate com a mão
Que eu bato com o pé
Este samba
Virou candombé

Ei ei ei ei
Esquim dim dim
Esquim dim dim

BOI CARA PRETA
(Zuzuca, 1974)

Eu não chorei
Porque não sei chorar
Nem reclamei
Porque não sou de reclamar

Só exaltei
Eneida, amor e fantasia
Cantei entrudo
Zé Pereira e o Rei da Folia

Boi boi boi
Boi da cara preta
Pega essa criança
Que tem medo de careta

Limoeiro é limoeiro
E uma flor é uma flor
Batuqueiro é batuqueiro
Cantador é cantador

Vela inteira
Não me ilumina
Cotoco de vela
Que me iluminar

Chuva grossa
Não me molha
Sereno quer me molhar
Meu sinhô

MARCHA DA CUECA
(Carlos Mendes / Livardo Alves / Sardinho)

Eu brigo
Eu mato
Quem robou minha cueca
Pra fazer pano de prato

Minha cueca
Tava lavada
Foi um presente
Que ganhei da namorada

TRISTEZA
Haroldo Lobo e Niltinho

Tristeza
Por favor vai embora
A minha alma que chora
Está vendo o meu fim

Fez do meu coração
A sua moradia
Já é demais o meu penar

Quero voltar aquela
Vida de alegria
Quero de novo cantar

la ra rara, la ra rara
la ra rara, rara
Quero de novo cantar

MARACANGALHA
Dorival Caymmi

Eu vou pra Maracangalha eu vou
Eu vou de uniforme branco eu vou
Eu vou de chapéu de palha eu vou

Eu vou convidar Anália eu vou
Se a Anália não quiser ir
Eu vou só, eu vou só, eu vou só

Se Anália não quiser ir
Eu vou só, eu vou só
Eu vou sem Anália
Mas eu vou

ATÉ AMANHÃ
Noel Rosa

Até amanhã se Deus quiser
Se não chover
Eu volto pra te ver
Ó mulher
De ti gosto mais
Que outra qualquer
Não vou por gosto
O destino é quem quer